quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Capítulo 24: Blood Sugar Sex Magik


Acordei com um belo banho de água gelada que a Jess havia jogado em mim pra acordar. Havia acordado sem saber onde estava e a primeira coisa que perguntei foi “Onde estão as crianças?’’ O Anthony tentou explicar com calma que as crianças fugiram. Comecei a chorar, mas não desmaiei novamente. Todos nós nos abraçamos.
As crianças na verdade haviam fugido do avião pouco antes dele decolar. Elas sem saberem o caminho de casa, ficaram tocando no meio da rua para conseguirem ao menos um dinheirinho pra um táxi, pois elas sabiam o nome do bairro em que moravam, só não sabiam onde ficava. Enquanto elas estavam tocando, elas conheceram um carinha de uns 10 anos chamado Joshua, mas que na maioria das vezes o chamavam apenas por Josh. Ele tocava bateria e se juntou pra tocar bateria com as crianças.
Enquanto isso, sem saber de nada, fomos para casa pra fazer cartazes de ‘’desaparecidos’’. Ao mesmo tempo, que escrevíamos cartazes, apareceu um empresário e produtor musical pelas ruas de Los Angeles que parou para observar as crianças.
- Puxa… vocês tocam muito bem… Qual é o nome de vocês? – perguntou ele.
- Bom, eu sou a Annie, ele é o Jeff, ela é a Ashley e ele é o Josh. – respondeu Annie.
- Mas por que você está aqui tocando nas ruas de L.A. ? – perguntou ele.
- É porque a gente quer juntar dinheiro pra um táxi… - respondeu Annie.
- Você sabia que você pode multiplicar esse dinheiro? – perguntou.
- Como? – perguntou ela.
- Venha comigo. – respondeu ele.
A partir disso, as crianças arrumaram os instrumentos e entraram no carro do cara. Jeff acendeu um cigarro de maconha e assim que o cara viu, ele também acendeu um. 
Versão da Annie

No início, eu desconfiava daquele cara sinistro, mas depois pensei no que todos nós já passamos e deixei pra lá. Ele estava nos levando a um estúdio que era dele.
- Já podem sair do carro, crianças – disse o cara, cujo nome era Steve.
Tiramos os instrumentos do carro, que era bem grande por sinal, e entramos no estúdio.
O visual do estúdio era bem foda, ele tinha luzes negras em vários lugares e tinha instrumentos por toda a parte.
- Toquem! – disse Steve.
- Mas nós vamos tocar o que? Sabemos várias músicas, mas não sabemos por onde começar… - disse.
- Vocês têm alguma composição? – perguntou ele.
- Bom, a gente ainda não tem, mas em breve vamos começar a compor… - respondeu Jeff.
- EM BREVE!? VAMOS COMPOR AGORA, SEUS FDP! – respondeu Steve.
‘’Sentados na rua, fumando maconha
A cidade estava iluminada, porém parecia tristonha
Até que peguei minha guitarra e comecei a tocar

Estava com uma grande vontade de ao mundo gritar,
Gritar foda-se e também começar a dançar, dançar, dançar
Até esse mundo fudido acabar’’
- As notas são Em – Am. É apenas uma demo. Vamos gravar? – perguntou Steve.
- VAMOOO! – respondemos.
Gravamos e fizemos uma demo e no mesmo dia mandamos pra rádio da cidade.

 Versão da Alice.

Estávamos de carro, perguntando pra todo mundo que víamos se eles viram nossos filhos.
- Liga o rádio aí, Flea! Quero ver o que tá passando, se é música boa… - disse John.
‘’Eu sou o Adam,e esse é o programa Na Brasa e a próxima música agora realmente saiu do forno… e se chama Cidade Tristonha’’.
- De quem será essa música? – perguntou John.
- Não sei… vamos escutar. – respondeu Anthony.
Depois…
- Pow cara, curti demais… Tô louco pra saber qual é o nome da banda misteriosa. – disse flea.
‘’ E essa foi a música da Smells like a pepper, banda de 4 crianças: Josh, Annie, Ashley e Jeff. E esses pequenos que já são talentosos estão aqui na rádio.’’
- SÃO AS CRIANÇAS!!! RÁPIDO VAMOS PARA A RÁDIO!!!! – gritei.
‘’ Crianças, o que motivou vocês a montarem uma banda foda já nessa idade?’’ – Perguntou Adam, o radialista.
‘’Na verdade, estávamos embarcando num avião com gente que a gente não conhecia, então fugimos do aeroporto e terminamos na rua perdidos de nossos pais, e aí tivemos a ideia de tocar pra ganhar dinheiro suficiente pra pegar um táxi até a nossa casa, pois não sabíamos onde ficava o nosso bairro, só sabíamos o nome. Lá na rua, conhecemos o Josh, nosso baterista, que também estava perdido. A partir disso nos juntamos e montamos o Smells Like a Pepper, título baseado na banda de nossos pais: o Red Hot Chili Peppers.’’ – Disse Annie.
‘’Pera aí, você tá me dizendo que é filha dos Peppers, os reis do sox on cox?’’ – Perguntou Adam.
‘’Sim, e eles nos levaram a esse mundo da música. E todos temos muito orgulho deles.Continuando, encontramos com o Steve, que nos fez uma proposta de nos produzir. – Completou Annie.
Abri a porta com tudo e gritei:
- ANNIE, JEFF, ASHLEY! VENHAM CÁ!
Os três imaginaram que eu ia dar uma bronca, pois minha cara estava um pouco estranha.
- NÃO SABÍAMOS QUE VOCÊS ERAM TÃO FODAS ASSIM! VAMOS DAR UM ABRAÇO COLETIVO. – gritou Jess.
Nos abraçamos e eu agradeci ao Adam e ao Steve. Também troquei telefone.
1991. Os peppers estavam mais inspirados do que nunca. Mas também mais drogados do que nunca. Haviam boatos de que o John sairia da banda, mas ele nunca tinha comentado isso nem comigo nem com a Jess, então isso não era levado ao caso. Os peppers estavam com um novo e renomado produtor musical, o Rick Rubin e também mudamos de gravadora, pois houveram alguns problemas com a EMI e então mudamos para a Warner. Os peppers estavam tão noiados que pensavam em sexo o tempo todo.
- Qual é, Jess? Vamo dar um irmãozinho pra Ash… Vem cá gatinha, NOW SUCK MY DICK!Sinta o poder da minha ereção sangrando, gata, ela deve estar tão maluca que acho que você terá a mesma sensação de estar fumando maconha… Você sabe que é uma delícia gata… - disse John.
- PARA COM ISSO JOHN! FIZEMOS ISSO MEIA HORA ATRÁS  VOCÊ JÁ QUER DE NOVO? AH VÁ LAMBER ESPERMA JOHN AFFFFF – respondeu Jess.
- Que isso gata, vem cá, vem dar chifre nas minha guitarras, se você quiser eu te dou uma palheta pra tocar minha guitarra… - disse John agarrando a Jess.
- Ai John, você sabe que eu não resisto a uma guitarrinha… - Disse Jess se entregando.
Enquanto isso…
- Ideias, ideias, preciso de ideias… - disse Anthony.
- Esse verso que o John falou é bem legal… - disse acendendo mais um cigarro de maconha…
- Mas é só um verso… QUERO MAIS! – gritou Anthony.
- Ow Ant, não conta pra Jess, mas eu fiz uma música pra ela, chamada I could have lied. Veja a letra se ficou boa… - disse flea.
O Ant leu e depois eu li e… cara que perfeição!
- ESTÁ PERFEITO, FLEA! – disse.
- Ah, que é isso, Liz… São seus olhos… - disse flea dando uma risadinha gostosa.
- Liz, vamos matar aquela saudade… Quero fazer um sexo mágico contigo, Liz Delizzzia… -  disse o ak.
- Você é tão criativo, Ant… Mas é que eu tô menstruada… Vai ser meio estranho deixar seu pau cheio de sangue…
- Besteira, Liz! Assim deve ser mais gostoso… Vem cá, gata… - disse ele tirando minha roupa.
Aquela foi uma noite bem cansativa. Não sei de onde tirei energia pra transar com o ak. Ele tava tão sexy e louco pra transar… Que deus grego… Nunca mais tive uma noite daquelas…
- CREDO! MATARAM A LIZ E O ANT! NÃÃÃÃÃO!!!! – gritou Jess.
- Jessssssssss… - disse sonolenta.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – gritou Jess desesperada.
- O que foi, Jess? – Perguntou John.
- Mataram a Liz e o AK e agora estou escutando uma voz me chamando toda hora… - disse Jess.
- Espere! O coração dos dois está batendo… E eles estão respirando! ELES NÃO ESTÃO MORTOS, JESS! – disse Flea.
- Eu disse que transar menstruada não era uma boa ideia, Ant! – disse.
- Mas Liz, foi tão bom… e tão doce… - disse Ant.
- MAS VOCÊS QUASE ME MATARAM DE SUSTO NÃO É, ANTHONY? – disse Jess.
- Bom… Mas ninguém mandou você abrir a porta, né Jessica? – disse ele.
- GENTE VAMO PARAR COM ISSO! SÓ FOI UM SUSTO… - disse Flea.
- TIVE UMA IDEIA PRO NOME DO NOVO ÁLBUM! PARA CARACTERIZAR ESSA MELHOR FASE DE TRANSAS, A GENTE PODERIA CHAMAR O ÁLBUM DE BLOOD SUGAR SEX MAGIK! QUE TAL??? – gritou o ak.
- Érr, pode ser – disse Flea, que estava chateado, pois nunca mais tinha transado.
- Boa ideia, Ant! – disse John.
E a partir do título para o novo álbum, começamos a escrever uma música que era a faixa-título…

Capítulo 23: The Adventures of rain dance maggie


Fizemos cada vez mais shows e o Mother’s Milk vendia cada vez mais, superando nossas expectativas. Apesar do enorme gasto com as drogas, conseguimos separar um pouco de dinheiro depois dos shows pra comprar uma casa maior para os peppers. Quando tínhamos um tempinho extra, eu e a Jess ficávamos tocando em vários barzinhos umas músicas do rhcp, outras de várias outras bandas de rock e outras que nós escrevemos também. Isso até que gerou uma graninha e também ficamos sendo reconhecidas. Para se ter ideia disso, durante um show dos peppers, quando aparecemos lá no fundinho tocando em algumas músicas deles, algumas pessoas nos reconheceram e pediram pra a gente dar uma palhinha. O Ant ficou super orgulhoso de mim e pediu pra eu seguir carreira solo, mas eu disse pra ele que não iria dar certo porque quase não iria dar tempo de ficarmos juntos. Jess já tava ficando com ciúme do John. Não, ele não estava pegando várias mulheres, e sim esfregando suas guitarras durante os shows e depois ficava com o pênis doendo e não podia transar com a Jess.
– Johnny, por que você tem que esfregar a guitarra no seu pau? – perguntou Jess.
– É porque só assim eu consigo sentir a vibe musical que passa por dentro dos meus ouvidos e vai alcançando cada vez mais profundamente a minha alma e isso é muito gostoso e excitante… Ahhhhh… - respondeu John chapado.
– MAS E EU? DEIXEI DE SER EXCITANTE? PERDI SEU PAU PRA UMA GUITARRA? – perguntou Jess.
– Que isso gata, você é meu objeto sexual favorito… I want to party on your pussy baby… I want to party on, party on your pussy… - respondeu John cantando e puxando a Jess pro colo dele fazendo dela uma guitarra e cantando o riff de party on your pussy
– PARA JOHN! PARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – gritou Jess vomitando em cima do pé de John.
– Tá vendo? – disse ela irritada.
– Não tem problema, gata. Eu limpo. – Disse John lambendo o sapato dele.
– PORRA QUE PARIU JOHN! VOCÊ TÁ CHAPADO MESMO… PARA COM ISSO, CARALHO! – reclamou Jess.
– VEM CÁ JESS, SÓ ESSE POZINHO… - insistiu John colocando um punhado de cocaína e colocando no nariz da Jess quase sufocando-a.
– PARA JOHN… Para… Paraaaaahhhhh… Ai John… - disse Jess tirando a roupa dele.
Escutamos a barulheira toda e eu e o Ant fomos para a sala ver o que estava acontecendo. Quando vimos que era nada absurdo, voltamos para nosso quarto.
– Ant… - disse.
– O que foi Liz? – perguntou ele.
– Eu tava pensando… que as crianças já deveriam entrar na escola… afinal elas já têm 6 anos… - disse.
– Realmente, Liz… Nunca tinha parado pra pensar nisso… Nossas vidas se resumiram ao lema do Rock n’ Roll e acabamos afetando as crianças também… Elas até já transaram debaixo da cama… Acho que a melhor coisa a se fazer é deixar as crianças com as minhas irmãs e com a minha mãe… Elas não podem viver nesse universo tão maluco que é o da fama, do sexo e das drogas… - disse Ant.
– Bom, apesar de eu ser muito apegada a eles… É uma boa ideia… Só que vai ser meio difícil… – disse.
As crianças estavam assistindo os simpsons na outra sala até que nós começamos a conversar.
– O que foi, mãe? – perguntou Jeff.
– Filho, filha, a mamãe e o papai andaram conversando sobre vocês e chegamos à conclusão de que vocês não podem ficar com a gente mais… - disse tentando manter a calma.
– Então você quer dizer que a gente vai morrer, mamãe? – perguntou Annie.
Comecei a chorar. Passaram-se uns cinco minutos, eu me recuperei e continuei a falar:
– Não filha, a gente só quer que vocês dois passem um tempinho com a vovó e suas titias até a turnê acabar… É para o bem de vocês… Vocês sabem que a mamãe e o papai amam vocês, não sabem? Vem cá dar um abraço na mamãe… - disse.
Depois de chorar rios no meu quarto ao lado do Anthony, eu conversei com a Jess e ela conversou seriamente com o Flea e também decidiram levar a Ash para a casa da Peggy por um tempo.
Passaram-se alguns dias, o AK ligou para a Peggy avisando que as crianças iriam para a casa dela. Arrumamos as coisas das crianças e os mini-instrumentos delas.
Chegamos no aeroporto e demos tchau para as crianças. Não consegui segurar as lágrimas…
– Calma, Liz! É só por um tempo… - disse Ant.
– Mesmo assim, Ant! São nossos bebezinhos já voando sozinhos… - disse.
Anthony me abraçou. A Jess usou tanta droga que acabou nem ligando pra filha. Todos me viram triste e me levaram do aeroporto até a lanchonete do Joe, o lugar onde tudo aconteceu.
Chegando lá, tudo estava diferente. Todos usavam um uniforme e gritavam pelos peppers e por mim também (o que eu já tô me acostumando) e também havia um homem de cabelos ruivos e compridos,forte, e com o corpo todo tatuado no balcão do gerente (o uniforme não dava pra esconder as tatuagens).
–Liz? – gritou o rapaz.
Eu me virei sem saber quem era.
– Liz, sou eu, o Joe… - disse ele.
– J-J-J-J-J-J-J-J-JOE? – gaguejei surpresa.
– Vem cá me dar um abraço, Liz! Como é que você passou esse tempo, linda? – disse Joe. Confesso que fiquei morta de vergonha quando ele me chamou de linda… Ele que estava lindo.
– Minha vida virou de cabça pra baixo, mano… E você? Percebi que mudou muito. – disse abraçando-o.
– Bom… - disse ele coçando a cabeça – Eu estava namorando, mas aí tivemos umas brigas e decidimos terminar… Daí resolvi mudar o visual… - Disse Joe.
– Ficou muito bacana assim… - disse.
– Você já conhece eles? – Continuei apontando para os peppers.
– Sim, eu curto a batida deles… Vocês podem tirar uma foto comigo? – perguntou Joe.
– Mas é claro, Joe... – disse Flea juntando a galera e pedindo para uma empregada dele da lanchonete tirar uma foto.
Ao tirar a foto a empregada do Joe, a Maggie, ficou pelada para os peppers na frente dos clientes e pediu para o John autografar os seios dela. Ele, que estava chapado cumpriu o pedido de sua fã e pegou uma caneta e autografou. Quando eu senti que a Jess já estava tremendo de raiva eu disse:
– Jess, mantenha a calma, o John agora é um rockstar… Isso é normal… Não é só você que sente ciúmes… Eu sinto muito do Anthony também… Mas eu me conformo porque é ao meu lado que ele sempre fica e também porque já temos 2 filhos… - tentei acalmá-la.
– MAS O JOHN TÁ BEIJANDO A MINA! – disse Jess apontando para o John e Maggie.
– Calma, Jess… Ele está chapado, assim como você também fica de vez em quando… Logo ele vai se arrepender disso e vai voltar a te beijar… - disse.
Estava chovendo e o John, que era o mais chapado da galera, foi tomar banho de chuva.
– Vem cá sua gostosa! – Disse John para a Maggie.
Ele e Maggie foram pra chuva e ficaram dançando uma música lá que passou num carro de som na rua.
Conversei um mais um pouco com o Joe e fui pra casa. Fumei uns e fiquei cantando pela casa umas músicas doidas e não tinha nem ideia como minha voz estava… Eu jurava que estava estragando os ouvidos de todos… Até que alguém bateu na porta. O Flea foi atender. Era o nosso produtor, o Michael Beinhorn.
– Quem é que está cantando? – perguntou o Michael.
– Ah, é a Liz, a namorada do Anthony… Pensei que você já tinha escutado ela cantando… - respondeu Flea.
– Eu conheço a Liz, mas não sabia que ela cantava tão bem… Eu vim para sua casa para falar justamente sobre isso, pois tem uma banda de rock que estou produzindo que precisa de vocalista e queria saber se você conhecia alguém, mas acho que já temos a pessoa, isto é, se ela aceitar… - disse Michael.
Flea nem respondeu e foi pro quarto me puxar pra sala. Eu não estava entendendo nada.
– Oi Mike! – disse.
– Oi Liz! Não sabia que você cantava tão bem… Estava aqui escutando a sua voz… - disse Mike me elogiando.
– Estava aqui falando com o Flea sobre uma banda de rock que surgiu e que estou produzindo e essa banda ainda não tem vocalista… E pensei sobre você… - disse ele.
– EU ENTRAR NUMA BANDA? Puxa… eu não sei, se for assim, eu vou ficar longe do Anthony, da Jess, dos meus amigos… - disse.
– Calma Liz, não vai ser tão terrível assim… Essa banda vai abrir os shows dos peppers… - disse Mike.
– Então eu topo… Mas eu vou continuar andando com os peppers, certo? – disse.
– Certo! Só espero que os outros integrantes gostem de você também… - disse ele.
– Tomara… - disse por fim.
O Michael foi embora e passaram-se algumas horas. Não esperava que eu entrasse numa banda… Ainda nem conhecia a galera mas estava com pensamento positivo. Estava assistindo TV até que o telefone ligou. O Anthony levantou do sofá e foi atender:
– Alô?
– Oi Anthony, sou eu, sua mãe. – disse Peggy.
– E aí mãe? Tudo na paz? – perguntou Anthony.
– Na verdade, as crianças ainda não chegaram aqui… Já estou preocupada… - disse ela.
– Obrigado pelo recado, mãe. Vou tentar ligar pro celular do Jeff. Beijos. – disse Ant.
– Beijos. – disse Peggy por fim.
Anthony já estava com uma cara preocupada e logo estranhei:
– O que a Peggy disse? – perguntei.
– As crianças ainda não chegaram… - disse Anthony.
– MAS COMO ASSIM? – disse.
– Eu não sei o que houve… Vou ligar pro celular do Jeff. – disse ele.
– Ligue rápido, Ant! – disse.
Anthony pegou o celular e discou. Eu estava super nervosa e acendi um cigarro de maconha pra viajar na maionese.
– Fora de área. – disse Ant.
Após ele dizer isso, fiquei paralisada, não consegui falar mais nada e simplesmente desmaiei.

Capítulo 22: Knock Me Down


Ficamos horas e horas sem comer e tentando terminar essa música. Eu estava ajudando o John na guitarra até encontrar a melodia. A Jess finalmente conseguiu se aproximar do Flea.
– E aí, cara? – perguntou ela.
– Tô bem Jess… - disse ele.
– Bom, me desculpe se eu te tratei mal, é porque eu tava na TPM e ainda foi um choque receber uma notícia desse jeito… Bom eu confesso que teve uma época que eu desconfiei que você tava com alguém, mas depois parei com isso e…
Flea a interrompeu com um beijo.
– Mas Mike… - disse ela.
– Shhhhh! – disse ele.
E foram se beijando até que ela interrompeu.
– Não! Isso tá errado! Você tem uma esposa. Não pode simplesmente traí-la comigo. Não quero que cometa esse erro outra vez. – disse ela.
– Puxa Jess… Nunca pensei que você iria pensar dessa maneira… Mas seja lá o que for, tenho uma filha também contigo e também preciso te dar um último beijo… - disse ele.
– Tem certeza, cara? – perguntou Jess.
– Sim. – disse ele beijando-a profundamente.
Eles passaram uns 5 minutos se beijando. Nem sabia de onde vinha aquele fôlego todo. O Chad passou por eles e arregalou os olhos de espanto.
– Relaxa, Chad! Isso até é comum por aqui… - Cochichou John.
Chad começou a rir. Depois eu não segurei. John também riu. Anthony também. Assim, os caras choraram de rir. Aquilo era uma grande besteira, mas os dois não estavam nem aí pra isso. O fogo era mais forte.
Finalmente o beijo acabou.
– Amigos? – perguntou Flea.
– E você ainda pergunta? – disse Jess.
– Do jeito que você é imprevisível… - disse ele.
Jess deu um tapinha no braço dele e disse:
– É lógico que sim! – E deu um abraço nele.
Enquanto isso, os caras já estavam explicando ao Chad como tocava ‘’Sexy Mexican Maid’’ e ‘’Stone Cold Bush’’. Eu particularmente amo a batida de Sexy Mexican Maid, e na época, esperava que o Chad aprendesse a fazer aquela batida direitinho.
Passaram-se os dias e eles comporam e comporam músicas pro álbum. Eu até ajudei em algumas rimas. Bom, mas surgiu uma dúvida: qual seria o nome do álbum e a capa? Pensamos em vários nomes, até que a brilhante mente do Ant teve uma ideia: Mother’s Milk, porque o leite materno é algo puro, nutre e desintoxica e o Ant tava naquela fase após a morte do Hillel, daí, o nome se encaixou. Mas e a capa? Decidiram que iria ser algo óbvio: Uma mãe com seus seios de fora. Tá, mas quem iria ser a mulher da capa? Bom, eu bem que me habilitei, mas o Ant negou, pois eu era praticamente a esposa dele e blá blá blá. A Jess também se habilitou, mas aí o Flea reclamou, mas ela disse que ele já era casado e não tinha mais direito sobre ela. Mesmo assim, não deu certo pra ela. Estávamos prestes a fazer outra rodada de testes, (bom, esse não era um tipo de teste que eu iria me interessar e iria me bater um baita ciúme, por que Anthony, você teve que pensar num álbum desses, por quê?) mas até que ele teve uma ideia: ele tinha uma ex-namorada que era modelo e ela às vezes posava nua para algumas revistas. Ele ligou pra ela e ela aceitou. Bom, do mesmo jeito eu iria sentir ciúme. Estávamos tão ansiosos pra o Mother’s Milk que os peppers começaram a gravar, mesmo sem terem as outras músicas terminadas. Também houve a sessão de fotos. A ex do Ant foi tirar, mas depois a Jess quis também e sem ou não a ‘’permissão’’ do Flea, ela foi, tirou a blusa e depois tirou o sutiã, mas tirou uma ótima foto. Acho que ela tinha feito aquilo só pra chamar a atenção do Flea. Mesmo assim, escolheram a foto da ex do Anthony. Uma coisa que me surpreendeu foi que ela mesmo sabendo que eu tava com o Ant, foi supergentil comigo.
1989. Eu e a Jess já tínhamos 19 anos e as crianças já tinham 06.Terminamos o Mother’s Milk. Estávamos com muitas expectativas para esse álbum. Fizemos uma tour bem curtinha chamada ‘’Positive Mental Octopus Tour’’ assim, Chad, John e eu conseguimos pegar o jeito da banda. Bom, não havia comentado isso antes, mas os peppers insistiram tanto, principalmente o John, que eu toquei na guitarra base, mas não deu pra por meu nome no CD. Depois de tanta correria pra lançar esse álbum, parei pra pensar que depois de tanto tempo, acabei reparando que nem tinha pensado na minha vida e na vida das crianças. Andei pensando esses dias que elas já tinham 6 anos e não tinham entrado na escola. Nossa vida era tocar, tocar, fumar, gravar e tudo sem descanso. Sim, o Ant voltou com as drogas e eu e a Jess acabamos caindo nessa também. As crianças também estranhavam todos nós acendendo um cigarro de maconha. Até que um certo dia, quando estávamos tocando num lugar e deixamos as crianças na sala, Jeff ,Annie e Ash acenderam um cigarro e fumaram um pouco até que a Annie se queimou e ela começou a chorar. O barulho estava alto, mas John parou de tocar e escutou um barulho estranho.
– John, por que você parou? Era a melhor parte da música… - eu disse.
– Que barulho estranho é esse? – perguntou ele.
– Vamo lá na sala, acho que aconteceu algo com as crianças… - disse Ant já preocupado.
– Mãããaaeennww… - disse Jeff já todo doido.
– Caralho, filho, o que tu fez? QUE PORRA TU FEZ? – perguntei.
– Euuunnn… Pegueeei… aquelaa coisaauunn… - disse Jeff.
– E a Annnnnnie… se queimou tentando aceender e depois desmaiou… - continuou Jeff.
– POR QUE VOCÊ NÃO CUIDOU DA SUA MANA,PORRA? POR QUE VOCÊ ACENDEU UM CIGARRO? VOCÊ NÃO SABE QUE VOCÊ É PEQUENO DEMAIS PRA ESSAS COISAS? – disse.
– Não exagera, Liz! Eu comecei a fumar quando eu também era criança, mas eu era um pouco mais velho que você, Jeff… PORRA LIZ, VOCÊ TAMBÉM QUER EXPLODIR A CABEÇA DO GAROTO… - disse Ant tentando consolar Jeff, que já estava chorando.
– MAS VOCÊ ERA MAIS VELHO QUE ELE, ANTHONY KIEDIS! – disse.
– Gente vamo parar de brigar e agora vamo cuidar da Annie e comemorar que os pirralhinhos já aprenderam a fumar sem ajuda da gente. – disse John.
A Annie acordou e pegou outro cigarro, acendeu e começou a fumar direitinho com a Ash (que por sorte, não levou bronca) e todos pararam. Daí, sem combinar, todos, acendemos um cigarrinho e…
– UM ‘’BRINDE’’ PARA OS PIRRALHOS’’! – gritou Flea.
– VIVAAAAAAA!!!!!! – todos gritaram.
Passaram-se algumas semanas e fomos para Nova York no dia. John ficou todo animado ao saber que estava voltando para sua terra natal. O dia foi muito legal. Para se ter ideia, até arranjamos um ônibus pra gente pra ir pra lá pra NY. Tivemos até um camarim só pra gente. Bom, galera, meu sonho era entrar num camarim. Sim, eu sei que era um sonho besta, mas era meu sonho. Bom, a estreia foi no Tramps. O público superou nossas expectativas. Sei que não tava nos Red Hot Chili Peppers oficialmente, mas eu mesmo assim tava nervosa pra tocar pra muita gente, para se ter ideia, teve até gente do lado de fora querendo ver o show.
Meus olhos de ver aquela galera toda gritando o nome da banda e ainda com o gostinho de quero mais. Crianças, jovens, adultos, idosos, todos gostaram do show. Acho que o Hillel iria ser orgulhar de todos nós, principalmente do John, que agora estava na guitarra e que o Hil sabia que ele era bom. O Ant quando começou a cantar Knock me Down, antes fez um minuto de silêncio. Comecei a chorar ao lembrar dele e fui ao banheiro. Ele largou o microfone e saiu correndo atrás de mim.
– O que foi, Liz? – perguntou ele.
– Não Ant, pode ir continuando o show, você é a estrela, todos estão te esperando. Eu só sou apenas uma otária chorona. – disse chorando.
– MAS O QUE FOI, PORRA? – perguntou ele.
– NADA! VÁ PRO SHOW! – disse.
– NÃO VOU SE VOCÊ NÃO FOR! – disse ele.
– PODE IR, EU VOU FICAR LEGAL. – disse acendendo um cigarro de maconha.
– NÃO MESMO! – disse ele me puxando.
Todos já estavam estranhando.
– ONDE VOCÊS ESTAVAM? – perguntou Chad.
– HOUVE UM PROBLEMA COM A LIZ, MAS JÁ TA TUDO RESOLVIDO. PRECISAMOS BOTAR ESSE POVO PRA SURTAR. – disse Ant.
– Galera, tivemos um pequeno problema, mas não se preocupem, que os peppers vão retomar e vcs já podem voltar a ter orgasmo musical. – disse Ant.
Quando eles voltaram a tocar Knock me Down, Ant pediu pra eu fazer a voz de fundo, daí eu fiquei com vergonha, mas consegui me controlar e apareci tocando guitarra e cantando.
Depois de algumas músicas, John nos surpreendeu: ele estava com sox on cox e começou a fazer um solo de guitarra e começou a ter um ‘’Frugasmo’’ com a guitarra. As meninas piraram tanto que dezenas delas foram parar no hospital.
Assim que o show terminou, muitas meninas pediram pro John autografar os seios delas. Pude ver que a Jess já tava com ciúme e ela tava mesmo. Afinal, ela já tinha transado com o John e tava começando uma vida amorosa com ele.
– Não chora, Jess, estamos agora numa turnê e tudo pode acontecer. Sim, o John pode fuder qualquer mina aí, a mesma coisa o famoso Sir Psycho Sexy, que me namora. Mas eu não tenho tanto ciúme assim… - disse tentando consolar Jess.
– Mas Liz… - disse ela.
– Shhhhhhhh! Relaxa! Se você quer mesmo namorar um rockstar, você também tem que sofrer as consequências. – disse interrompendo-a.
– Então está bem… mas vai ser muito difícil superar esse ciúme… - disse ela.
Entramos no camarim e pegamos um pózinho de cocaína e cheiramos. As crianças fizeram o mesmo.
– AO SHOW! – todos falaram ‘’brindando’’.
Guardamos os instrumentos no carro e não fomos pra casa. Fomos para um mercado e roubamos umas 15 garrafas de Whisky, botamos no carro, escondemos e depois fomos para um motel. Chegando lá, caímos na piscina, sendo que mais tarde, teríamos que pagar uma fiança porque tínhamos jogado cocaína na água. Ficamos lá num quarto gigante e bebendo essas garrafas de Whisky até 7 da matina. Depois caímos no sono, até que de sacanagem, Ant baixou as calças de todo mundo pra que quando acordássemos, fizéssemos sexo. E foi exatamente o que aconteceu: para se ter ideia da coisa, até o Jeff e a Ashley fizeram. Só o Flea e o Chad ficaram de fora. Bom, aquele foi um dos melhores dias da minha vida.

Capítulo 21: Knock Me Down


Saímos do jogo. Os Lakers ganharam. Depois disso, a Jess acordou e disse que ia dar um tiro em quem fez aquilo com ela.Daí, todos olharam pra mim e eu corei e pedi desculpas a ela e ela fechou a cara por um tempo, mas depois me desculpou. Depois disso, fomos comer alguma coisa. O Anthony tinha virado vegetariano porque ele amava muito os animais e não queria fazer essa crueldade. (Na verdade, eu também eu amo os animais, mas meu pensamento é diferente, tipo, mesmo se eu deixar de comer carne, e comer vegetais, eu posso matá-los de fome da mesma maneira…). Enfim, passaram-se uns dias e o Anthony, o Flea, o D.H. Peligro e o John começaram a compor e fazer algumas pequenas apresentações. Eles escreveram duas músicas: ‘’Stone Cold Bush’’ e ‘’Sexy Mexican Maid’’. Pelo título dessas músicas já é fácil entender a inspiração deles.
Passaram algumas semanas e o Peligro desistiu da banda e os peppers tiveram que procurar um novo baterista. Colocamos o anúncio no jornal e colocamos o local, a hora e a data do teste. No dia, os peppers pediram emprestado uma bateria de um amigo. O lugar encheu de tanto baterista, mas eu consegui ver o último da fila. Velho, o cara era gigante (na verdade, eu tava até torcendo pra vê-lo de perto, e também iria ser curioso ver um cara altão tocando na mesma banda que o baixinho do Flea).
Ficar lá nos bastidores do teste foi muito engraçado. Eu e a Jess ficamos lá no canto só vendo as palhaçadas. O primeiro cara sentou lá e começou a tocar. Velho, enquanto ele tava tocando, houve uma confusão musical. Nem consegui perceber o sentido daquela batida.
– Cara, não encontrei o espírito pepper em você. PRÓXIMO! – disse Flea.
Entrou um cara de camisa preta e de cabelos castanhos e lisos.
– Pode começar. – disse John.
O cara começou a tocar. Ele tocou legal por uns segundos e começou a gritar:
– ROCK N’ ROLL! YEAH! FUCK!
E começou a tocar novamente. Esperamos um minuto e Ant começou a gritar, só que o cara tava tão inspirado que nem escutou e na hora que ele parou de tocar pra gritar aquilo, Anthony gritou rindo:
– CARA, JÁ É O BASTANTE! VOCÊ NÃO TÁ SENDO TESTADO PRA SER CANTOR…
– O QUÊ? – perguntou o cara.
– A-C-A-B-O-U! – gritei me levantando da cadeira e indo em direção ao cara.
Eu tentei retirá-lo do lugar do baterista (até aquele momento eu tava amando aquela coisa de ser meio segurança) mas aí ele me empurrou e eu caí e saiu revoltado. Imediatamente, Anthony saiu correndo atrás dele. Ele conseguiu alcançar o cara que estava em frente às pessoas que estavam na fila pra fazer o teste. Ele deu uma voadora no cara e todos que estavam na fila aplaudiram. O cara caiu pronto no chão e algumas pessoas que estavam na fila até pediram autógrafos pra ele.
Depois daquele show, Ant fez aquele gesto nas mãos como se ele tivesse sujado-as.
– Vamos, Liz. Temos muito o que fazer. – Disse Anthony determinado a encontrar um novo baterista pra banda.
– Puxa, cara… Tô sem palavras… - disse.
– Só tava te protegendo… Agora vamos. Tem muita gente aí nessa fila e quero que façamos hoje esse teste até com aquele cara altão do fim da fila. – disse ele.
Voltamos ao lugar.
– Bom, Anthony, enquanto você estava lá fora, fomos testando uns caras aqui. E infelizmente ninguém que passou tem uma alma pepper. – disse Flea.
– Vamos ver o que nos espera. – disse Ant.
Aquilo parecia mais o American Idol, só que para bateristas. Eu tava amando tudo aquilo, exceto pelo fato daquele roqueiro maluco. Bom, assim que sentei na cadeira lá no cantinho, entrou uma garota. Eu até me surpreendi. Nunca passou pela minha cabeça uma garota na banda. Também percebi como o Flea olhou pra ela. Acho que no fundo, a Jess sentiu um pouquinho de ciúme. Bom, já eu até queria que ela entrasse pra eu fazer uma nova amizade e temmais uma menina pra tentar me ajudar a domar a descontrolada da Jess. Mas quando ela começou a tocar, meus ouvidos começaram a doer.
– Desculpe, linda, mas você não está no nível dos peppers… - disse Flea.
– Obrigada. Sou muito fã de vocês, sabiam? – disse ela tirando o casaco porque estava com calor. Mas depois ela tirou o cinto, tirou as bijuterias…
– EPA! AQUI NÃO É LUGAR DE STRIPTEASE, SUA VADIA! ESSES CARAS JÁ SÃO PAIS DE FAMÍLIA. LUGAR DE STRIPTEASE É EM BOATES NOTURNAS, NÃO NUM SIMPLES TESTE PRA BATERISTA. – protestamos.
Me bateu um grande ciúme, mas estava consciente do que estava fazendo. Ninguém comentou o que eu e a Jess fizemos.
Enfim, foram passando os candidatos ao cargo pepper e ninguém encaixava no perfil de um pepper, para se ter uma ideia, tiveram algumas pessoas que chegaram lá e encontraram os caras dormindo.
– ANTHONY, FLEA, JOHN, ACORDEM! – gritei sacudindo-os.
–Hã? O que houve? - perguntaram eles.
– O TESTE, PORRA! – gritou Jess no ouvido de Flea.
Eles acordaram e pediram pro cara começar. Nada. ‘’PRÓXIMO!’’ Nada. ‘’PRÓXIMO!’’ Depois de vários terem passado, John perguntou:
– É o último?
– É agora ou nunca. – disse Flea.
E finalmente entrou o cara alto barbudo e de cabelo grande. O nome era Chad. Chad Smith. Ele era um cara de Detroit que já havia tocado em outras bandas.
– Toca aí, Chad… - disse Flea morto de sono.
Os peppers já tavam começando a cochilar até que a barulheira toda conseguiu acordá-los e deixá-los atentos à batida da bateria. O Chad era muito ágil.
– ISSO! ISSO! ISSO! É DISSO QUE ESTAMOS PRECISANDO! ESTÁ PRONTO PARA SER MAIS UM INTEGRANTE DA FAMÍLIA CHILI PEPPER? – perguntou Flea.
– Estou. – disse Chad.
– Seja bem-vindo à familia Red Hot Chili Peppers, Chad! – disse Ant.
Eu, a Jess e o John nos levantamos e fomos cumprimentá-lo. Chad parecia ser um cara gentil, maluco… com um perfil de um pepper… Era exatamente o que estávamos procurando.
Depois daquele dia cansativo, chegamos na casa dos membros da banda. Estávamos com o intuito de chegar lá e falarmos sobre a vida de cada um, mas assim que sentamos no sofá, todos, até o Chad, pegamos no sono.
Assim que acordamos, fomos mostrar a casa pro Chad.Ele pareceu interessado. Depois de mostrar a casa, cada um contou um pouco de sua vida e todos contaram sobre a história da banda. Chad disse que se quisessem uma ajudinha pra compor músicas, ele ajudaria. Nós comemos alguma coisa lá e o John pegou papel e caneta e começamos a compor. Houve um momento em que o Ant me chamou pra ir pro quarto porque ele ia me mostrar algo. Não era aquilo que ele havia me mostrado daquela vez e que gerou confusão.
– Eu tava escrevendo isso nesses últimos dias. Foi algo que foi feito de coração. Leia, por favor, Liz. – pediu ele entregando o caderninho. Era o mesmo em que ele tava escrevendo no avião.
Comecei a ler. O nome era ‘’Knock me Down’’.Era uma música totalmente diferente das outras músicas anteriores dos peppers. Era… Era como se o Anthony estivesse dando conselhos… Conselhos para o… Hillel. Naquela hora eu já estava com o rosto todo molhado, mas tava tomando cuidado pra não molhar aquela página.
– Puxa Ant, é… muito lindo… estou…sem…palavras. Não sei de onde você tirou tanta coragem pra escrever essa música e não molhar o papel? – disse.
– Ah, Liz… - disse ele rindo.
– Você é muito forte mesmo. Te admiro muito. Não só pela sua voz ou carreira, mas pela sua história, força e coragem. – disse.
– Ah, Liz… Assim eu fico até envergonhado do jeito que você fala… - disse ele.
Nos beijamos e voltamos para a sala.
– Galera, o Anthony tem uma letra já pronta pra esse álbum. O nome dela é ‘’Knock me Down’’. Eu acho que já temos um trabalho pra você também, Chadinho… - disse.
– Onde começamos? – perguntou Chad todo empolgado.
– Calma, galera. A Liz se empolgou toda também. Vamos criar uma melodia,depois você cria a batida e fazemos a música, beleza? – disse Ant.
– Tá bom… - disse Chad.
– Flea, John, peguem a guitarra e o baixo. Vamos fazer primeiro a melodia e no final vemos a batida com o Chad, beleza? – disse Ant organizando.
– Ok. – disseram todos.
John pegou a guitarra e botou a cabeça pra funcionar e começou a tentar fazer um riff bacana pra música. Tudo começou com John. Flea tava esperando as notas pra ele acompanhar com o baixo. Enquanto isso, eu, o Chad, o Anthony, o Flea, e a Jess pensamos em como seria o novo álbum, o tema dele, a capa. O John também iria participar da discussão, só que ele primeiro iria fazer o riff, depois o flea iria se ocupar, o Chad na bateria por fim. Mas o Ant tinha que ficar vendo se as notas ficariam boas pro tom de voz dele e tudo aquilo. Apesar de cada um tentar fazer sua parte sozinho, nos uníamos de algum jeito. Os peppers tinham gravado um cover de Fire, do Jimi Hendrix na formação original do RHCP e Anthony e Flea resolveram selecionar essa música pro álbum em homenagem ao Hillel. Não era nada definitivo. Estávamos apenas no começo daquele álbum. Um álbum um pouco mais maduro que os outro, mas não tão revolucionário.

Capítulo 20: Road Trippin'


Passaram-se uns dias e as crianças levaram alta. Passamos mais algumas semanas lá naquela vila até que Ant falou:
– Liz, acho que já estou pronto.
– Pronto pra que, Ant? – perguntei.
– Pra voltar pra Los Angeles, ué. Pra voltar pra banda e tudo. – disse ele.
– Sério? Você tá realmente pronto pra voltar a sua vida normal? – perguntei.
– Se eu tô pronto? NÃO VEJO A HORA DE RECOMEÇAR, ESCREVER NOVAS LETRAS, VOLTAR PRA BANDA, PRA AQUELA VIDA LOUCA… - disse ele.
– Mas… e quem vai ser o novo guitarrista? – perguntei.
– Sem dúvida alguma tem que ser o John. Ele tem que topar. – disse ele.
– Também acho uma maravilhosa ideia. – disse.
Chamamos as crianças pra viajar e arrumei as coisas delas e conseguimos uma passagem de última hora pra Los Angeles.
Saímos correndo, pegamos um táxi e fomos direto pra Guadalajara e pegamos o voo.
Na mente do Ant…
‘’Puxa… como será a minha vida agora em Los Angeles sem as drogas? Será que eu vou resistir? E álbum, como se chamará? E o flea? Como será que ele reagirá assim que me ver, e percebendo que fiquei sem usar drogas? E como ele deve ter reagido ao saber da notícia do Hillel? E o John? Será que ele realmente vai aceitar a proposta de tocar nos Red Hot Chili Peppers? Será que ele já arrumou um emprego? E como vai o Jack? Será que ele já arranjou alguma outra coisa pra fazer enquanto eu tinha saído? Será que já arranjaram um outro vocalista pro Red Hot Chili Peppers? E como iam a filha e a mulher do Flea? E o Blackie? E a Peggy? E as minhas irmãzinhas? Bom, acho que vou continuar a música que eu tava escrevendo…’’
Bom, voltando, eu não fazia mínima ideia do que o Ant pensava e do que ele tava escrevendo… Desconfiava que aquele caderninho fosse uma espécie de diário… Por isso, nem arrisquei perguntar o que ele tava escrevendo, seria falta de educação… Mas até que a Annie perguntou pra ele:
– Papai, o que você tanto escreve?
– Bom, Annie, é uma letra que eu tô fazendo pro melhor amigo do papai que virou estrelinha agora… - disse ele a abraçando.
Comecei a chorar.
Jeff tava do meu lado e perguntou:
– O que houve, mamãe?
Eu o abracei, botei ele no colo, comecei a fazer cafuné nele e comecei a falar:
– Bom, Jeff, tudo começou num colégio, lá em Los Angeles. O seu pai era criança e começou uma amizade com Hillel, um cara muito gente boa. Depois, de uma maneira muito estranha ele conheceu Michael, cujo apelido flea, juntos,(segundo o seu pai) eles eram os ‘’três mosqueteiros’’.
– Três mosqueteiros, pai? – disse Jeff.
– Sim, filho. E aprontamos várias no colégio… Só não vou contar pra você agora porque depois você vai querer fazer isso e depois vai todo santo dia ir pra diretoria, depois o(a) diretor(a) vai tomar ódio de você e nem vai mais querer olhar na sua cara e você talvez será expulso do colégio… - disse Ant.
– Puxa papai… aconteceu isso com você? – perguntou Annie.
– Mais ou menos… mas confesso que foi muito divertido, mas tivemos consequências que não foram boas… - disse ele.
– Como qual, pai? – perguntou Jeff.
– Bom, quando estávamos fora da escola, tínhamos a mania de saltar de prédios e cair na piscina deles, mas uma vez que pulei, errei a mira e quase tive que ficar andando de cadeira de rodas… - disse ele.
– Puxaaaaaa… – disseram Annie e Jeff.
– Mamãe, papai, contem mais! – pediu Annie.
– É… por favooooooor… - insistiu Jeff.
– Melhor deixar pra outro dia, crianças… estamos quase chegando… - disse.
– Tá bom… - disseram os dois tristonhos.
Demorou um pouquinho e começaram as turbulências. Daí um mexicano começou a gritar em espanhol e inglês: ‘’Segurem o cú de vocês’’ e depois todos gritaram: ‘’Arrrrrriba!’’.
– Mamãe, o que é cú? – perguntou Annie.
– Ah, Annie… é aquele barulho que a coruja faz, ‘’cú,cú’’… - disse.
– Mãe, mas o que tem a ver a coruja com essa situação? – perguntou Jeff.
– Ah Jeff, é porque tem um ditado que diz que quando o avião se balança todo, as turbulências, as corujas que tão pousando, elas escorregam, aí dizem pra segurar o ‘’cú’’. – tentei improvisar essa história. Confesso que estava me segurando pra não rir. Aposto que o Ant também, talvez. Bom, ele tava bem concentrado no que ele tava escrevendo.
Após essas turbulências, chegamos em Los Angeles. A cidade dos anjos, como muitos dizem.
– Welcome to L.A.! – gritou o piloto.
Descemos do avião e pegamos um táxi até a kitnet. Chegando lá, estavam a Jess, a Ashley e o John.
Bati na porta.
– Quem será? – perguntou Jess.
– ALICE? ONDE VOCÊ TAVA ESSE TEMPO TODO, CRIATURA? E VOCÊ, ANTHONY? – perguntou ela surpresa.
– Estávamos no México. Precisei me recuperar. Desculpa-me por não informar, mas queria passar um tempo distante das drogas… - disse ele.
– John! – gritei.
Abracei-o fortemente.
– Liz! Garota onde você tava por esse tempo todo? – perguntou ele.
–No México… Bom, cara, como tu tá? – perguntei.
– Tô bem… Escuta, a Jess largou o Flea… e me pegou. – disse John sorrindo.
– O que aconteceu? – perguntei.
– Você não soube? O Flea tem uma mulher e uma filha chamada Clara. – disse John.
– Sério, cara? O Ant não me contou isso. – disse.
– E aí no dia que ela soube da notícia, ela o expulsou de casa, o Jack também foi embora, não só embora, mas embora de tudo, inclusive da banda… - disse John explicando o que houve.
– Como assim? O que houve com o Jack? – perguntei.
– Bom, não sei exatamente… - disse ele.
As crianças se cumprimentaram e John começou a falar com Ant sobre tudo o que aconteceu. Eles resolveram ligar pro Flea (sem a Jess saber). John que insistiu pra ele vir e não contou o porquê. Passaram-se uns minutos e bateram à porta (por sorte não foi a Jess que foi atender, e sim o Ant).
– Quem é? – perguntou Ant fazendo uma voz engraçada.
– É o Flea. – disse Flea.
Ant abriu a porta.
– ANTHONYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY!!!!!!!!!! CARA ONDE É QUE TU TAVA? Eu fiquei aqui desesperado todo esse tempo! – gritou flea.
– Eu tava no México, cara. Precisava ficar sozinho, mas não aguentei ficar sem fazer aquelas coisinhas… Daí chamei a Liz e as crianças, pra passar um tempo com elas e tentar me libertar das drogas. Bom, mas e agora temos que fazer uma reunião dos Chili Peppers, né, cara… - disse Ant.
– É… bom, já conversei com o John e claro que ele topou ser o novo guitarrista… Eu já arrumei um cara cujo apelido é D.H. Peligro, mas ele tá em projetos paralelos e só é por enquanto que ele vai ficar, é só enquanto não achamos outro… - disse Flea.
– Então vamos fazer uns shows, tentar compor umas músicas e procurar um baterista novo. Concorda, Flea? – perguntou Ant.
– Então tá, Ant… O bom do John é que ele já sabe tocar todas as músicas dos peppers e que ele sabe todos os passinhos do Hillel… - disse Flea.
– Realmente… - disse Ant.
Jess tava assistindo tv com as crianças e quando acabou ela se levantou e deu de cara com o Flea.
– O QUE ESSE FELA DA PUTA TRAIDOR TÁ FAZENDO NA MINHA KITNET? – disse Jess.
– Jess, menos, há crianças presentes e essa kitnet também é minha, sabia? – disse.
– MAS VOCÊ FICOU UM BOM TEMPO FORA DAQUI, OU SEJA, NÃO ME INTERROMPA! – disse Jess.
– Mas eu te explico o que ele tá fazendo aqui. Foram o Ant e o John que o chamaram. Se fosse pelo Flea, ele não viria aqui por causa de você… - disse.
– MESMO ASSIM, NÃO QUERO QUE ELE FIQUE AQUI! – gritou Jess.
Cheguei perto do ouvido do Ant e cochichei: ‘’Vocês conversam com o flea que eu dou um jeito na Jess, beleza?’’.
‘’- Beleza.’’ – respondeu Ant.
Peguei uma agulha, esterelizei ela, botei um calmante e cheguei por trás da Jess e injetei.
– É pro seu próprio bem, Jess. – disse.
Ela apagou.
– Mãe, você matou a mãe da Ashley? – perguntou Jeff.
– Não, meu filho, apenas tranquilizei ela, mas ela acordará daqui a um tempo… - respondi.
– Mudando de assunto, hoje vai ter jogo dos lakers, Ant. Querem assistir comigo? – perguntou Flea.
– Vamos. – disse Ant.
Peguei umas roupas amarelas e roxas e vesti as crianças, já que elas não tinham a roupa dos Lakers e também vesti a Jess. Foi um trabalho suado, mas não poderia ser melhor do que tava. Incrivelmente deu espaço no carro do Flea pra todo mundo. Fomos ver o jogo.